PF e FBI prendem golpistas contra investidores

Miyuki

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[FONT=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif][SIZE=-1]SÃO PAULO - Uma central de telemarketing poliglota estruturada em São Paulo aplicou em cinco anos um golpe de pelo menos US$ 50 milhões em investidores norte-americanos, europeus, asiáticos e australianos. A quadrilha foi desmantelada ontem em operação conjunta da Polícia Federal e norte-americana (FBI), com a prisão de 17 pessoas, entre elas os brasileiros Luciano Gracier e Marcos Machionni, e o chefe do esquema, o israelense Doron Mukamal, detido em uma mansão no Morumbi.

O golpe, aparentemente banal, era aplicado em investidores com ações de baixa liquidez. Os operadores de telemarketing ofereciam um bom preço para esses papéis, mas pediam adiantado o valor da corretagem e dos impostos. Para dar veracidade ao negócio, contatavam as vítimas com o serviço de telefonia pela internet, o VoIP, no qual a ligação, mesmo realizada no exterior, aparece no identificador de chamadas como sendo local. Outro artifício era o de forjar sites de agências reguladoras norte-americanas e de falsas fusões e aquisições de empresas, apresentados para dar veracidade às ofertas e justificar o interesse nas ações.

Os golpistas indicavam instituições bancárias nos países das vítimas para os depósitos e repassavam os valores para contas nos Estados Unidos. Cabia a Machionni, detido ontem em Miami, remeter o dinheiro para o Brasil e para a Argentina - país onde o grupo transferiu a central de telemarketing, também conhecida como "boiler room". Para "esquentar" o dinheiro, os falsários compravam imóveis de luxo no Brasil. O esquema também lavava dinheiro por dólar cabo - transações sem o aval do Banco Central.

"Como todo estelionatário, enrolavam as vítimas até conseguir o dinheiro e depois sumiam", disse a delegada Karina Murakami Souza. Segundo o adido do FBI no Brasil, David Brassanini, as investigações se iniciaram há 5 anos. Há 3 anos começaram a passar informações ao Brasil e no início de 2007 a PF passou a seguir os golpistas, indiciados por estelionato, quadrilha, evasão de divisas e lavagem, com penas de até 33 anos de prisão.

Para o delegado Mario Menin Júnior, a quadrilha "não imaginava essa colaboração com os EUA e achava que ficaria para sempre imune".

Ouro de tolo

Denominada Pirita - mineral conhecido como "ouro de tolo" -, a operação cumpriu 35 mandados de busca e apreensão e 17 das 30 prisões expedidas pela juíza Silvia Maria Rocha, da 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Ao todo foram apreendidos 17 veículos, R$ 654.950, US$ 106.597, 4.500 euros e 9.300 dólares canadenses. Um dos alvos das buscas foi a casa do pai e empresário do grupo KLB, Franco Scornavacca, por ter utilizado os serviços de um doleiros do golpe. No imóvel, na Chácara Flora, foram encontradas 17 armas de fogo, listadas pela PF entre os itens apreendidos. O empresário não foi encontrado em seu escritório para comentar o caso.

Tribuna da Imprensa Online

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